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Em breve aqui: pontos de venda no Brasil,
imagens da caatinga e outras brasilidades.
“Quem já comeu geléia de umbu da Coopercuc fica certamente a pensar de onde vem aquele perfume de vinho amadeirado que atiça o paladar. Na boca lembra um vinho concentrado, envelhecido em carvalhos sem que seus açúcares virassem álcool. Toda a Caatinga parece estar resumida e suavizada ali naquela delicadeza brilhante, fragrante e doce, que pede um naco de pão ou um beijuzinho, uma lasca de torrada, um pedaço de queijo. Ou uma simples colher que a carregue até a boca. A maravilha vem do nosso sertão e ainda assim pouca gente conhece. Pelo menos entre nós, já que para franceses e austríacos não é nenhuma novidade. O que estamos esperando para nos lambuzar com o que temos de melhor, nossas frutas nativas como o umbu ou o maracujá da caatinga? A Coopercuc trata estes ingredientes como iguarias e concentra neles o mais fino terroir do sertão.” Neide Rigo*



Elas começaram pequenas e imaturas, lá em Uauá, sertão da Bahia.
Como um umbuzinho duro e verde, mas guerreiro, sabendo que um dia vai granar.
Eis que, no final da década de 1980 chegaram à cidade, em missão, três freiras para chacoalhar a vida pacata daquelas mulheres que se revezavam entre as tarefas da casa e os cuidados com as cabras, galinhas e hortas de subsistência. As religiosas começaram a trabalhar com a comunidade a questão da participação da mulher também na geração de renda e nas decisões políticas. Logo, mulheres de comunidades vizinhas se juntaram a elas. Primeiro as de Curaça, depois, as de Canudos. Quando, no final da década de 1990, tiveram treinamento sobre beneficiamento de frutas, já eram articuladas, unidas, produtivas.
Aí foi só esperar mais uma safra de umbu, que vai de dezembro a abril, para começar a vender as delícias que saíam de suas cozinhas. Apresentaram antes as geléias para os vizinhos, que aprovaram, queriam mais.
Em seguida, foram para a feira e, de lá para cá, ganharam o mundo. Em 2004, a Coopercuc foi oficializada com quarenta e quatro cooperados. Hoje, são cento e quatro, que trabalham com dignidade e alegria.
O que encanta na paisagem destas terras áridas são os centenários pés de umbu, do Tupi Guarani, Ymb-u, ou “árvore que dá de beber”, que resistem a secas e intempéries. Mas não ao descaso e maus tratos dos homens. Felizmente umbuzeiros centenários têm sido explorados e multiplicados de forma sustentável pela Cooperativa. Graças à sua presença em feiras internacionais, promovida pelo Slow Food, os produtos da Coopercuc, de indiscutível excelência gastronômica e produzidos de forma limpa e justa, ganharam fama nos países europeus. Agora, são exportados para França e Áustria, através do comércio justo e, quem sabe, neste momento, uma geléia de umbu não repousa suculenta sobre uma metade quente de croissant? Mas, sorte nossa, o umbu ainda está por aqui e se transforma e se divide, pelas mãos habilidosas destas mulheres, em conserva dos xilopódios, doces em pastas, sucos e geléias. Sem falar nos outros deleites como a geléia de maracujá da Caatinga, doce de goiaba, compota de manga e doce de banana com maracujá.
Veja links relacionados: www.slowfoodbrasil.com | www.caatingacerrado.com.br |
