Coopercuc

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Criada em 2004, a Coopercuc é formada por 271 cooperados, em sua maioria mulheres, que produzem deliciosos doces e geleias a base de frutas nativas do sertão.

Através da linha Gravetero, a cooperativa comercializa seus produtos nos mercados mais sofisticados do Brasil e exporta para Itália, França e Áustria.

29/03/2018

Parceria entre Embrapa e Coopercuc promove o georreferenciamento de umbuzeiros em pesquisa realizada nos municípios de Curaçá e Uauá, no norte da Bahia

           Visualização de umbuzeiros representados por pontos de geolocalização no mapa digital

O mapeamento proposto pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi realizado em parceria com a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), com apoio de estudantes dos cursos de Agropecuária e Zootecnia do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão de São Francisco II Antônio Conselheiro (Cetep), de Uauá. Mais de mil umbuzeiros foram mapeados nas comunidades de Caladinho e Serra da Besta, em Curaçá e Uauá, respectivamente.

Segundo o supervisor do setor de tecnologia da Embrapa Semiárido, Fabrício Bianchini, o mapeamento dos umbuzeiros faz parte de uma pesquisa de reconhecimento da densidade e ocorrência, assim como das áreas onde se encontram essas espécies. “A gente vem de um período longo de estiagem e isso afetou, de certa forma, algumas plantas de umbuzeiro. Não só a seca, como pragas que incidem a partir do não desenvolvimento da espécie. Então, é importante ver como está a ocorrência das plantas que morreram nesse ambiente natural e como está hoje a densidade e a distribuição dos umbuzeiros nesses dois territórios”, explicou o pesquisador.

O georreferenciamento consiste em mapear pontos, através de coordenadas do GPS, construindo traçados de informações digitais localizadas. Foram dois dias de trabalhos em campo, onde as equipes, guiadas por moradores das comunidades, mapearam árvore por árvore, em áreas de fundo de pasto e de roçado com cerca. Só na comunidade de Caladinho, mais de 400 umbuzeiros tiveram coordenadas traçadas para estudo. Em Serra da Besta foram mais de 600. As duas comunidades possuem Unidades de Beneficiamento de Umbu da Coopercuc e, nas últimas safras, foram as que apresentaram um maior número de produção, dentre as unidades da cooperativa em outras comunidades, por isso foram escolhidas como territórios de pesquisa.

Parceria

Na proposta de desenvolvimento adotada pela Coopercuc, a Embrapa é parceira na realização de pesquisas relacionadas à qualidade do umbu e demais frutas nativas da Caatinga. “A Coopercuc é uma entidade que trabalha muito com o umbu e, basicamente, é ela aqui na região quem representa bem esse meio e a Embrapa é o órgão que trabalha com umbu também, então a gente sempre tenta alinhar essas duas coisas: a parte da pesquisa, com a parte prática de comercialização que a Coopercuc faz”, explicou o coordenador do setor de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da cooperativa, Egídio Trindade.

O setor de Ater da Coopercuc é composto por engenheiros (as) e técnicos (as) em Agronomia, Agropecuária e Zootecnia, além de veterinários que prestam assistência técnica contínua nas comunidades de atuação da cooperativa, através dos projetos Ater Sustentabilidade e Pró-semiárido, do Governo do Estado. O trabalho de georreferenciamento realizado nas comunidades de Caladinho e Serra da Besta contou com o apoio das (os) técnicas (os) em Agropecuária da Ater Taiane Souza, Marilândia Andrade, Caroline Araújo, Celso Loiola e Egídio Trindade, do veterinário Tiago Loiola e do estudante de Agronomia, José Fábio Cardoso, além do supervisor da Embrapa, Fabrício Bianchini.

                      Estudantes do Cetep recebem capacitação da Coopercuc para o manuseio do GPS

Estudantes do Cetep também participaram dos trabalhos. Antes de ir à campo, elas/eles passaram por um curso prático, realizado pela Coopercuc, sobre a utilização do  GPS e ferramentas para a coleta de coordenadas, configuração Datum e georreferenciamento de perímetro. O estudante de Zootecnia, Manoel Artur Gonçalves, contou sobre a experiência. “Eu nunca pensei que em uma área de fundo de pasto poderia encontrar tantos pés de umbuzeiro. A preservação das áreas pelos produtores, o contato com eles e com a Caatinga. Uma aprendizagem para a vida toda, né?”, ressaltou  Manoel. A também estudante de Zootecnia, Acsa Souza, disse que encontrou na atividade uma forma de aprender mais sobre o umbuzeiro e as plantas da caatinga. “O curso de Zootecnia trabalha mais com o estudo dos animais e com essa atividade eu tive um contato maior com a caatinga”, afirmou.

A Coopercuc possui em sua equipe vários técnicos e se preocupa em contribuir na formação desses estudantes. “A gente sempre está tentando, em meio à nossas atividades, participar dessa formação através de estágios,  de convites, de palestras na escola, para que esses alunos consigam ter acesso à realidade da assistência técnica e dos trabalhos desenvolvidos pela cooperativa, como esse realizado em parceria com a Embrapa”, destacou Egídio Trindade.

Resultados

Os dados georreferenciados  e os inventários preenchidos pelas equipes serão levados para o laboratório de geoprocessamento da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), onde passarão por análise. Serão avaliados o tamanho da área percorrida pela equipe para identificar a quantidade de umbuzeiros por hectare, assim como o número de árvores vivas e mortas nos territórios analisados.  A partir dos resultados, Embrapa e Coopercuc irão pensar em estratégias, junto às comunidades, para manter a produtividade do umbuzeiro, evitar que aconteça, como nos últimos dois anos, a diminuição da produção, e, sobretudo, trabalhar para a preservação dessa espécie nativa que compõe a identidade histórica e cultural da nossa caatinga.

                          Mapeamento de umbuzeiro na Comunidade de Serra da Besta

Texto: Comunicação Coopercuc

Fotos: Equipe Ater

 

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